Bordado

30 imagens de bordadeiras da Madeira

  • 7 Fevereiro, 2013

“O bordado faz parte da cultura e História dos madeirenses. E, a exemplo do vinho, é uma das marcas que os identifica. A sua presença suplanta as barreiras naturais do arquipélago para se postar em mesa ou cama rica em todas as partes do mundo. Executado em meio pobre, mas quase sempre solicitado para mesa ou cama nobre.
O bordado madeirense não é uma criação do século XIX, pois está presente na ilha desde os inícios do povoamento. A partir da segunda metade do século XIX tivemos apenas a afirmação como mercadoria com peso significativo no sistema de trocas da ilha com o exterior e na economia familiar de muitos madeirenses. É também considerado como uma iniciativa de Miss Elizabeth Phelps (1820-1893). Mas, na verdade, esta ter-lhe-á aberto o caminho do mercado britânico. Foi a partir de então que o bordado, considerado um produto para uso e consumo caseiro, assumiu a dimensão de produto mercantil, de grande procura e valorização pelo mercado estrangeiro. Isto motivou uma profunda transformação. Apareceram as casas e os exportadores especializados no comércio, responsáveis por uma mudança radical no sector produtivo. A garantia e continuidade do processo de fabrico e circulação da mercadoria foram asseguradas pelas casas de bordados. Ao mesmo tempo aprimorou-se tecnicamente o produto e regulamentou-se o trabalho da agulha de acordo com as exigências da nova clientela e a moda de cada época. O acto de bordar deixou de ser uma forma de lazer para se transformar numa actividade de subsistência, por vezes, exercida a tempo inteiro.


Antes que o forasteiro oitocentista descobrisse o bordado madeirense ele manteve-se reservado ao consumo familiar e a actividade caseira. Bordava-se para fruição própria ou para presentear familiares e amigos. Para a donzela a tradição do enxoval de casamento era muitas vezes o motivo de tão paciente dedicação ao trabalho da agulha. Raras eram as peças fora deste circuito. Estávamos perante um bordado ancestral que seguia uma tradição familiar, adequando-se, de quando em vez, a novos pontos e desenhos a gosto do criador.”
Fonte: Alberto Vieira, Bordado Madeira. Bordal, 2006

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Bordadeiras madeirenses

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