Economia

32 fotografias de armazéns do vinho Madeira

  • 1 Fevereiro, 2013

“O vinho Madeira foi, sem dúvida, o que mais se evidenciou no universo das ilhas. O luzidio rubinéctar, que continua a encher os cálices de cristal, é, não só, a materialização da pujança económica presente, mas também, o testemunho dum passado histórico de riqueza. Prende-o à ilha uma tradição de mais de cinco séculos. Nele reflectem-se as épocas de progresso e de crise. No esquecimento de todos fica, quase sempre, a parte amarga da labuta diária do colono no campo e adegas, o árduo trabalho das vindimas, o alarido dos borracheiros. Hoje, para recriar a ambiência, torna-se necessário olhar os restos materiais e ler os documentos, donde ainda é possível desbobinar o filme do quotidiano de luta, que se esconde por entre a ferrugem, a traça e o pó.
O Vinho Madeira, celebrado por poetas e apreciado por monarcas, príncipes, militares, exploradores e expedicionários, perdeu paulatinamente nos últimos cem anos parte significativa do mercado, fruto da conjuntura criada, nos finais do séc. XVIII e princípios do séc. XIX. A desusada procura obrigou o madeirense a utilizar todo o vinho e a acelarar o processo de envelhecimento de modo a satisfazer os pedidos. Mas o futuro não era risonho. A abertura dos mercados conduziu a um certo fastio a partir de 1814. Depois. as doenças acabaram com as cepas de boa qualidade, fazendo-as substituir pelo produtor directo que se manteve lado a lado com as europeias numa promiscuidade pouco adequada à preservação da qualidade. O passado recente anunciou o retorno das castas tradicionais e abriu portas a novos momentos de riqueza.”

Alberto Vieira, A vinha e o vinho na História da Madeira, Séculos XV-XX


Galeria com 32 imagens, quase todas elas da colecção do professor Alberto Vieira, que retratam a vida dentro dos armazéns de vinho Madeira.

Armazens do Vinho

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