Costumes

Asilo de Mendicidade do Funchal

  • 20 Fevereiro, 2013

A fome, a pobreza, o abandono e a exclusão social são elementos que, com alguma regularidade, afetaram os madeirenses em geral e os funchalenses em particular.
Ao longo do tempo foram e são diferentes as formas de enfrentar o problema, minimizando os seus efeitos, tentando ultrapassá-los.
Uma das instituições mais relevantes nesse combate deu pelo nome de Asilo de Mendicidade do Funchal, pai do atual Abrigo de Nossa Senhora da Conceição, situado na Avenida do Infante, frente ao Parque de Santa Catarina.
O texto que se segue é um extrato de um documento publicado no Anuário de 2010 do Centro de Estudos de História do Atlântico, da autoria de José Vieira Gomes, de onde também retiramos 3 imagens, que reproduzimos, e que pode ser lido na íntegra  neste endereço: O Asilo


O Asilo de Mendicidade do Funchal

“Ilha da Madeira, 10 de Março de 1847. Por iniciativa do governador civil José Silvestre Ribeiro fundou-se o Asilo de Mendicidade do Funchal, com o propósito de recolher todos indivíduos, de ambos os sexos, maiores e menores de idade, que mendigavam pela capital madeirense, vítimas do surto de fome que grassava pela ilha.
O Asilo foi instalado provisoriamente num armazém pertencente à Fazenda Nacional, sito à Rua dos Medinas, próximo da igreja do Carmo, no Funchal. Esta instituição, no seu género, foi a primeira a existir no arquipélago e uma das mais antigas de Portugal.

Funchal vista

Legenda: Em primeiro plano o edifício do Asilo de Mendicidade e Órfãos do Funchal na segunda metade do século XIX. No canto inferior direito o Cemitério de Nossa Senhora das Angústias e respectiva capela. Autor desconhecido. Tela exposta nas instalações do Abrigo Infantil.

O governador José Silvestre Ribeiro encarregou-se de custear as despesas do estabelecimento e entregou a sua direcção à Santa Casa da Misericórdia do Funchal.
Em 27 de Março de 1847, devido à falta de condições logísticas para abrigar tanta gente no Asilo da Rua dos Medinas, procedeu-se à sua transferência para uma parte do extinto Convento de São Francisco (hoje o Jardim Municipal). Deram entrada nestas instalações cerca de 400 mendigos.
Em 25 de Abril de 1847, no palácio episcopal, reuniram-se em sessão inaugural, para tomar posse, os membros da primeira comissão administrativa deste Asilo, nomeados por alvará do governador civil José Silvestre Ribeiro, datado de dois dias antes. Os novos membros empossados ficaram incumbidos de gerir o referido estabelecimento, em substituição da Santa Casa da Misericórdia do Funchal.
Em 2 de Dezembro de 1847, a Câmara Municipal do Funchal resolveu ceder provisoriamente à comissão administrativa do Asilo de Mendicidade do Funchal um prédio sito nas Angústias, o qual assentava num terreno que tinha sido concedido pelo I Conde de Carvalhal, João José Xavier de Carvalhal, para aí se construir um Asilo.”

Aslados 1905

Legenda: Panorâmica da população asilada no ano de 1905. Foto Perestrelos.

Asilados trajados

Legenda: A população infantil do Asilo fardada a rigor. Visando uma profícua angariação de donativos, procurou-se de inúmeras formas divulgar o estabelecimento, sobretudo entre a comunidade britânica estabelecida na Ilha ou que nesta se achava de passagem.

2 Comments on Asilo de Mendicidade do Funchal

  • Aires Gameiro says:
    9 Março, 2013 at 11:49

    Estou interessado na história das instituições da saúde e sociais do Funchal para um trabalho de investigação e por isso agradeço estas e outras informações.
    Aires Gameiro

    Responder

  • Kahealani Martins says:
    14 Outubro, 2016 at 19:31

    My paternal grandmother was raised in Asilo de Mendicidada a orfaos. She was left there by her father after her mother died giving birth to her sister who was blind. (I have a photo of her blind sister). I have 2 postcards with the children lined up wearing there uniforms. I’m wondering if you know if there are any records of the children that were there in the early 1900s. My grandmother was sponsored by her cousin to come to Hawaii in 1906 to work as a maid.

    Responder

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